Quinta-feira, Julho 23, 2009

Despedida

Mudar é bom, a mudança é real e chegou a hora de mudar de blog.

Seguimos transmitindo
por aqui.

Sexta-feira, Julho 03, 2009

Os Menudos tinham razão



Tem propaganda que acerta.

Segunda-feira, Junho 29, 2009

Ficções

Só hoje terminei o segundo livro do Borges que eu ganhei naquela viagem para o Rio que iluminou meu ano de tantas formas. Tudo começou com O Aleph, um livro que meu pai me recomendou e que me pegou de surpresa, me impactou. Depois, no Rio, veio O Livro de Areia, que me entendeu, me explicou. Agora chegou Ficções, um livro que não me arrebatou da mesma forma que o primeiro (porque eu já sei do que o Borges é capaz), nem me encantou como o segundo (que é mais, hum, sensível?), mas que também entrou para a lista dos melhores que eu li. Não sei explicar exatamente o que me agradou em Ficções, que é mais difícil, menos leve que os outros. Mas eu ousaria adivinhar que é a extrema - extrema, extrema - inteligência de cada conto, de todos os contos, e em especial de alguns que, quando você termina de ler, pensa algo do tipo: puta-que-pariu. "As ruínas circulares", "A biblioteca de Babel", "O jardim das veredas que se bifurcam", "Funes, o memorioso", "A morte e a bússola", "O milagre secreto" e "O sul", só pelo título eu já amo essas histórias, que eu poderia definir como Borges define as de de Herbet Quinn, em outro conto muito foda: "infinitas histórias, infinitamente ramificadas".

Pequenas partes, a seguir:

*

"Pensar, analisar, inventar [escreveu-me também] não são atos anômalos, são a respiração normal da inteligência. Glorificar o ocasional cumprimento dessa função, entesourar antigos e alheios pensamentos, recordar com incrédula estupefação o que o doctor universalis pensou, é confessar nossa languidez ou nossa barbárie. Todo homem deve ser capaz de todas as ideias e
entendo que no futuro será"

*

"O forasteiro estendeu-se sob o pedestal. Foi despertado pelo sol alto. Comprovou sem espanto que as feridas tinham cicatrizado; fechou os olhos pálidos e adormeceu, não por fraqueza da carne, mas por determinação da vontade. Sabia que aquele templo era o lugar exigido por seu invencível propósito; sabia que as árvores incessantes não haviam conseguido estrangular, rio abaixo, as ruínas de outro templo propício, também de deuses incendiados e mortos; sabia que sua imediata obrigação era sonhar."

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"O propósito que o guiava não era impossível, ainda que sobrenatural. Queria sonhar um homem: queria sonhá-lo com integridade
minuciosa e impô-lo à realidade."

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"Durante o sonho e a vigília, o homem considerava as respostas de seus fantasmas, não se deixava engabelar pelos impostores, adivinhava em certas perplexidades uma inteligência crescente. Buscava uma alma que merecesse participar do universo."

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"Afirmava também que, das diversas felicidades que a literatura pode ministrar, a mais alta seria a invenção."

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"O universo (que outros chamam Biblioteca) é composto de um número indefinido, e talvez infinito, de galerias hexagonais, com vastos poços de ventilação no meio, cercados por balaustradas baixíssimas (...) No corredor há um espelho, que fielmente duplica as aparências. Os homens costumam inferir desse espelho que a Biblioteca não é infinita (se o fosse realmente, para que essa duplicação ilusória?); eu prefiro pensar que as superfícies polidas figuram
e prometem o infinito..."

*

"Como todos os homens da Biblioteca, viajei em minha mocidade; peregrinei em busca de um livro, talvez o catálogo dos catálogos; agora que meus olhos quase não podem decifrar o que escrevo, preparo-me para morrer a umas poucas léguas do hexágono onde nasci. Morto, não faltarão mãos piedosas que me atirem pela balaustrada; minha sepultura será o ar insondável; meu corpo afundará longamente e se corromperá e dissolverá no vento gerado pela queda, que é infinita. Eu afirmo que a Biblioteca é interminável."

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"O homem, o bibliotecário imperfeito, pode ser obra do acaso ou de demiurgos malévolos; o universo, com sua elegante provisão de prateleiras, de tomos enigmáticos, de incansáveis escadas para o viajante e de latrinas para o bibliotecário sentado, somente
pode ser obra de um deus."

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"Esse pensador observou que todos os livros, por diversos que sejam, constam de elementos iguais: o espaço, o ponto, a vírgula, as vinte e duas letras do alfabeto. Também alegou um fato que todos os viajantes confirmaram: 'Não há, na vasta Biblioteca, dois livros idênticos'. Dessas premissas irrefutáveis deduziu que a Biblioteca é total e que suas prateleiras registram todas as possíveis combinações dos vinte e tantos símbolos ortográficos (número, ainda que vastíssimo, não infinito), ou seja, tudo o que é dado expressar; em todos os idiomas (...) A Biblioteca inclui todas as estruturas verbais, todas as variações que os vinte e cinco símbolos ortográficos permitem, mas nem um só disparate absoluto."

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"Talvez a velhice e o medo me enganem, mas suspeito que a espécie humana - a única - está em vias de extinção e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta (...) Eu me atrevo a insinuar esta solução do antigo problema: "A Biblioteca é ilimitada e periódica". Se um viajante eterno a atravessasse em qualquer direção, comprovaria ao cabo de séculos que os mesmos volumes se repetem na mesma desordem (que, repetida, seria uma ordem: a Ordem). Minha solidão se alegra com essa elegante esperança."

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"Pensei num labirinto de labirintos, num sinuoso labirinto crescente que abrangesse o passado e o futuro e implicasse de algum modo os astros. Absorto nessas imagens ilusórias, esqueci meu destino de perseguido. Senti-me, por um tempo indeterminado, senhor da percepção abstrata do mundo. O vago e vivo campo, a lua, os restos da tarde, agiram sobre mim."

*

"Pensei que um homem pode ser inimigo de outros homens, de outros momentos de outros homens, mas não de um país: não de vagalumes, palavras, jardins, cursos d'água, poentes."

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"Desde aquele instante, senti ao meu redor e em meu corpo obscuro uma invisível, intangível pululação. Não a pululação de exércitos divergentes, paralelos e afinal coalescentes, mas uma agitação mais inacessível, mais íntima, e que eles de algum modo prefiguravam."

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"Disse-me que, antes daquela tarde chuvosa em que o azulego o derrubou, ele havia sido o que são todos os cristãos: um cego, um surdo, um aturdido, um desmemoriado (...) Dezenove anos tinha vivido como quem sonha: olhava sem ver, ouvia sem ouvir, esquecia-se
de tudo, de quase tudo."

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"A verdade é que vivemos adiando tudo o que é adiável; talvez todos nós saibamos no fundo que somos imortais e que, cedo ou tarde, todo homem fará todas as coisas e saberá tudo."

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"Dormir é distrair-se do mundo."

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"Sob a notória influência de Chesterton (que concebeu e ornou elegantes mistérios) e do conselheiro áulico Leibniz (que inventou a harmonia preestabelecida), imaginei este argumento, que talvez escreva e que já de algum modo me justifica, nas tardes inúteis. Faltam pormenores, retificações, ajustes; há zonas da história que ainda não me foram reveladas."

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"Não há homem que, fora de sua especialidade, não seja crédulo."

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"Logo refletiu que a realidade não costuma coincidir com as previsões; com lógica perversa inferiu que prever um detalhe circunstancial é impedir que este aconteça. Fiel a essa frágil mágica, inventava, para que não acontecessem, incidentes atrozes; naturalmente, acabou por termer que esses incidentes fossem proféticos."

*

"O universo físico deteve-se."

*

"A cidade, às sete da manhã, não perdera aquele ar de casa velha que lhe infunde a noite; as ruas eram como longos corredores, as praças como pátios. Dahlmann a reconhecia com felicidade e um princípio de vertigem; alguns segundos antes que seus olhos a registrassem, recordava-se das esquinas, dos quiosques, das modestas singularidades de Buenos Aires. Na luz amarela do novo dia, todas
as coisas voltavam para ele."

*

"Dos dois lados do trem, a cidade se desgarrava em subúrbios; esta visão e em seguida a dos jardins e chávaras demoraram o começo da leitura. A verdade é que Dahlmann leu pouco; a montanha de pedra imantada e o gênio que jurara matar seu benfeitor eram, quem pode negá-lo, maravilhosos, não muito mais, porém que a manhã e o fato de ser. A felicidade o distraía de Xerazade e de seus milagres suérfluos; Dahlmann fechava o livro e simplesmente se entregava à vida."

*

O nome do meu ano: Jorge Luis Borges

Sábado, Junho 27, 2009

The day pop music died

E já que citei Michael Jackson, eis aqui uma pequena homenagem a ele, que era bizarro, mas também era um dos grandes. Fui até o YouTube selecionar alguns clipes favoritos para colocar aqui e acabei desistindo, porque seriam muitos. "ABC", "I Want You Back", "I'll Be There", "You've Got A Friend", "Going Back To Indiana", "Bad", "Beat It", "Rock With You", "Remember The Time", "Don't Stop Til You Get Enough", "Black Or White" e por aí vai, já que de hit o cara não era fraco (curiosamente eu talvez deixasse "Thriller" de fora, porque tenho medo daquele clipe). Resolvi ficar apenas com a música que talvez seja a minha favorita, ao menos da carreira solo:




"He was forever a paradox: a precocious child star, a childlike grown-up, a superhumanly skilled performer who always appeared vulnerable, a figure who pursued worldwide fame only to find himself besieged and embittered by media attention" - The New York Times.

Both sides now

Nesta semana bizarra em que o Michael Jackson morreu e a Cásper registrou casos de gripe suína, também aconteceram algumas boas confusões na minha pobre cabecinha, que cada vez fica menor para a quantidade de pensamento dentro dela, embora às vezes eu expulse todos eles e siga a boa e velha regra do pensar menos. O Borges estava certo - claro - quando disse que todos os dias reservam surpresas, porque eu cada vez mais percebo que mesmo quando não acontece nada, acontece tanta coisa. Eu andei falando aqui de como sinto que uma mudança está acontecendo, mas agora já começo a questionar se ela em algum momento vai deixar de acontecer. Acho que não, e fico feliz com isso. Essa coisa de as sensações aparecerem, mudarem, voltarem ao que eram, se tornarem algo diferente outra vez, essa coisa de lembrar e esquecer, essa coisa de o velho e o novo estarem sempre se combinando, essa coisa de você achar que tem certeza de uma coisa mas depois perceber que não sabe porra nenhuma, essa coisa de acertar e errar, são essas as coisas que fazem com que eu me sinta viva. O único fato, fato mesmo, é que aquele período morno e sem brilho do início do ano acabou. E, putz, começo a pensar que 2009 vai acabar sendo uma puta lembrança boa. Mas, é claro, posso estar errada, porque como diria Joni Mitchell, I really don't now life at all. Aliás, pensando agora nessa música, lembrei que a Joni também diz que something is lost, but something is gained on living every day. Meio Borges, não?

Quinta-feira, Junho 18, 2009

São tantas emoções

Tudo começou numa tarde de maio, no gtalk:

Juliano: roberto carlos no maracanã dia 11 de julho. e aí, e aí?
eu: noooooooooossa
Juliano: ah, luísa
como eu gosto de vc
porque.....o marcelo me avisou isso como se fosse coisa pouca
e eu já fiquei feliz com sua reação.
ROBERTO CARLOS NO MARACANÃ, porra!
eu vou
vai ser foda
eu: nossa
eu vou
tô lá
tô vendo se trabalho nesse findi já
(...)
Juliano: imagina que coisa absolutamente emocionante
ele cantando detalhes no maracanã
porra!
eu: nossa
nossa
pára
ai
cara
porra
Juliano: vc tropeçou via gmail agora


E é basicamente isso mesmo: nossa, nossa, pára, ai, cara, porra, eu vou ver o Roberto Carlos no Maracanã!

Long time no see

Abandonei esse espaço de novo, mas por um motivo diferente das outras vezes em que fiz isso este ano: não foi falta de brilho, foi falta de tempo, foi porque é mais interessante brilhar lá fora. No mais, vida normal, novidades aqui e ali, muitas sensações em um mesmo dia, muitas dúvidas em uma mesma cabeça, e algumas certezas também.

Segunda-feira, Junho 08, 2009

Música da Semana

Eu nunca fui uma grande fã da Janis Joplin, embora costume ser grande fã de boas cantoras internacionais dos anos 1960 que falam, entre outras coisas, sobre o que é ser mulher. O problema é que a Janis Joplin é um pouco gritona, não tem a mesma suavidade de uma Joni Mitchell ou uma Carole King. Mas ontem quando estava assistindo um filme besta chamado A Mulher Invisível (comentário no E DIGO MAIS), foi só ouvir um trechinho de "A Woman Left Lonely" para me sentir completamente levada pela música. Tem um gritinho ali e outro aqui, sim, mas todos bem colocados e de perfeito acordo com a letra e a melodia, que, juntos, contam a história da woman left lonely do título, uma história muito bonita e com aquele quê de alma feminina que eu adoro. Uma música sensível e bonita, que vale a pena ouvir.

Bons momentos do gtalk

Juliano - mas dá pra notar sua mudança.. é real
Eu - hahahaha sério?
Juliano - eu acho sim....é uma coisa na energia
 e, ao meu ver, foi pra melhor


É real.

Sábado, Junho 06, 2009

This week in blog referrals

- letra da musica you've Got a Friend explica no present pufect
- Bruna "And it matters to me to see you smiling"
- versps do túmulo de Grace Kelly (não entendi)
- "Marina Person" "sem voz"

Da série "sempre tem quem goste":

- baixar a musica Stayin' Alive versão A Fazenda
- Staying Alive A Fazenda.mp3
- Stayin Alive - A Fazenda

Safadas:

- quero ver vídeos de ser humano fodendo com animais
- fotos de mulheres transando e ficando toda fudida
- fodas grátis de homens sendo fudido por animais
- meu nome é mary sou viciada em fuder com digs
- brasileiras chorando de tanto meter vídeos
- vídeos de cachorro trepando geral grátis
- Tom Crusi trancando com gorda (tá assim)
- mulheres fudendo com animal irracional
- fotos de homens fodendo na fazenda
- loira fudendo no deserto filme
- bailarinas de paison transando
- YouTube homem gordo transando
- mulher fudendo com cabrito
- vídeo homem comendo burra
- blogs de homens fodendo

E a melhor da semana:

- tenho 40 anos gostaria de assistir mulheres transando com cavalos

Coisas que percebi essa semana

- Eu penso. Muito. Demais. Praticamente o tempo inteiro. Sobre as mínimas coisas, sobretudo sobre mim.
- Eu estou mudando. Tudo está igual, poucas novidades, mas de uns tempos para cá I feel a change coming, como diria Dylan.
- Eu tenho muito medo de mudança, mas adoro mudar.
- Eu adoro momentos, bons ou ruins, que fazem o dia ter relevância.
- Eu tenho saudade. Eu sou uma das pessoas que mais tem saudade. Eu tenho saudade de gente, coisas, épocas, momentos, frases, eu tenho saudade de tudo, e às vezes ela é tão grande que meio que me inunda. Mas eu gosto. Tem saudade que eu gosto de ter.
- Eu duvido bastante de mim, mas quando acho que estou certa, não deixo de achar, não importa quantas pessoas venham me dizer que estou errada, não importa quão bons sejam os argumentos, não importa o quanto forem repetidos, não importa, porque eu não sei me convencer das coisas. Eu só sinto. E acho que sinto certo.

Bons momentos do gtalk

I.

Eu - Eu oscilo entre tocha major e principiozinho de desânimo
Marcelo - hahaha é que vc pensa mto sobre cada momento


II.

Eu - Tenho um medo fudido
Marcelo - Mas esse é o ano dos desafios lu
Eu - Esse é o ano dos desafios??
Marcelo - Sim, esse é o ano dos desafios, o que vier a gente faz


Esse é o ano dos desafios.